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Conexão Al Riyad \\
Audi A8 L
Texto: Diego Gomes \\ Fotos: Abdullah AlBargan
as atrações do
recheado estande da Audi no Salão do Automóvel de São Paulo, ao
lado do compacto A1 e do superesportivo R8 V10, foi o sedã
grande A8, que desembarca no país por R$ 505 mil iniciais de
olho no público endinheirado de Mercedes-Benz Classe S e BMW
Série 7. Para estes, o modelo já possui acabamento classudo com
uma generosa pitada de esportividade, além da oferta extremada
de equipamentos de conforto e tecnologia.
É desnecessário dizer que um sedã deste segmento é completo, mas
provamos isso mostrando a lista de opcionais: ao encomendar uma
unidade, o futuro proprietário pode decidir alterar o tipo de
madeira e metal que revestirão portas, painéis e consoles;
incluir teto solar com painel fotoelétrico para alimentar o
sistema de climatização; adicionar conjunto de entretenimento
traseiro e frigobar; e/ou trocar o conjunto de rodas de liga
leve de 19 polegados por um maior, aro 20 polegadas com pneus
265/40, e o som premium Bose (que já é fenomenal) por outro
ainda mais sofisticado da marca Bang&Olufsen -- somente esta
última troca já acrescentará R$ 80 mil ao preço final.
No Brasil, há ainda o custo da blindagem, que pode elevar o
preço do carro em até 50% ao mesmo tempo em que impossibilita o
uso do teto solar, mas que será bancado por todos os compradores
típicos deste carro, confirma a assessoria da marca. É o custo
da sensação de insegurança, "epidemia" que segundo a Audi faz do
país o único no mundo a adotar em peso um recurso que, no
exterior, geralmente é destinado a carros de chefes de estado.
Mesmo assim, uma unidade do A8 foi vendida semanas antes do
lançamento no salão e outros nove carros devem ter o
emplacamento concretizado até o final do ano.
A gama Audi, com sua identidade padronizada, pode ser comparada
a um conjunto de ternos masculinos e, assim, o A8 seria o
smoking de grife: tudo nele se parece com o que é encontrado no
A4, A5 ou A6, mas feito de modo aperfeiçoado, mais bem-acabado e
caro.
A grade frontal do A8 se vale de ensinamentos de moda (listras
verticais afinam a silhueta, enquanto as horizontais ampliam)
para ressaltar a sensação de largura da carroceria com oito
filetes cromados dispostos horizontalmente. As medidas são
expressivas: 5,13 metros de comprimento, 1,94 m de largura e
2,99 m de entre-eixos. Comparando o espaço interno determinado
pelo entre-eixos, o Toyota Corolla tem 2,6 m, o Hyundai Azera
tem 2,8 m, o BMW Série 7 tem 3,0 m e o Mercedes Classe S, 3,03
m.
A unidade de teste, ainda da pré-série, contava com o farol
tradicional, que traz alguns LEDs e mantém os fachos de xênon. A
versão final do A8, porém, tem apenas LEDs em seus conjuntos
ópticos: são 62 diodos nos faróis e 72 nas lanternas traseiras.
O conforto é garantido pelo acabamento em madeira de lei e
alumínio (ou aço escovado, opcionalmente), couro Valcona e
iluminação âmbar da cabine (também gerada por LEDs). Os quatro
assentos principais são tão amplos quanto as poltronas da classe
executiva de voos internacionais -- tanto que se você sentar
atrás vai acabar não enxergando quem está à frente. Cada um
desses bancos conta com até 22 ajustes elétricos (a versão mais
barata tem 12 regulagens), cinco programas de massagem (três nos
assentos traseiros), aquecimento e refrigeração. Há ainda espaço
para um quinto passageiro, de preferência uma criança, mas para
isso é preciso abrir mão do console central traseiro e dos
controles embutidos. A prioridade ao espaço da cabine é tanta,
que o porta-malas acabou perdendo espaço e ficou pequeno para o
porte do carro: são "apenas" 510 litros, mesmo volume do Renault
Logan.
A interface MMI Plus foi ampliada e deixou de comandar apenas o
som e as quatro zonas de climatização: com jeitão de celular
sensível ao toque, combina tela de LCD basculante de sete
polegadas, botão giratório e touchpad e permite que condutor use
as pontas dos dedos para controlar rádio, CD player, reprodutor
de cartões SD, TV, DVD e serviço de celular, navegação e
internet 3G (com slot para cartão SIM de operadora e um aparelho
integrado ao console), bem como as demais funções do carro --
estão lá o Drive Select com seus quatro programas de altura da
suspensão, rigidez da carroceria e disposição do motor (Auto,
Comfort e Dynamic, além do modo Individual, que permite uma
mescla dos anteriores), os ajustes de bancos e cintos de
segurança, e os padrões iluminação e segurança.
Apenas o motor V8 a gasolina de 4,2 litros, 372 cavalos de
potência e 45 kgfm de torque está disponível por aqui. Mas deu
conta do recado com o reforço do câmbio Tiptronic de oito
marchas e da tração integral quattro (que por padrão manda 60%
da força gerada às rodas traseiras): com aceleração de 0 a 100
km/h feita em 5,7 s, a velocidade máxima limitada
eletronicamente a 250 km/h pode ser facilmente alcançada se o
motorista ignorar as leis de trânsito. O que importa, porém, é
que o A8 roda tranquilo a maior parte do tempo e ainda se mantém
pronto a qualquer solicitação do pedal direito. O silêncio a
bordo também é primoroso e mantém os ocupantes em "outro mundo".
O consumo também é bom: a Audi aponta média combinada de 9,7
km/l na cidade e quase 13 km/l na estrada.
Se preferir, o motorista pode nem usar os pés: o controle de
cruzeiro adaptativo foi ampliado e além de manter velocidade e
distância definidas para o carro da frente, também alerta ao
condutor, chegando a desacelerar e até frear totalmente o carro,
caso o tráfego pare e o motorista não reaja, voltando a acelerar
o motor se o trânsito fluir em alguns segundos, numa situação
típica do anda e para dos grandes centros. Há ainda o Side
Assist, que alerta da presença de carros nos pontos-cegos
laterais, e câmeras especiais para leitura das placas de limite
de velocidade e do registro de calor (infravermelho) de veículos
e seres vivos em até 300 metros -- está última também se mostrou
muito útil em situações de baixa visibilidade (só funciona com
os faróis acesos), chegando a apontar pessoas e animais na via,
mas o motorista nunca deve se valer apenas dela para conduzir o
veículo.
Com tudo isso, ficou difícil acreditar estarmos num carro de
duas toneladas, sustentados pelo chassi Audi Space Frame em liga
de alumínio. Mas ficamos com a certeza de estar num carro de
muitos milhares de reais.
Agradecemos as imagens de Abdullah AlBargan, pelo belo registro
que fez no lançamento do A8 L na Arábia Saudita. |